Bloco de Notas

ou Blog da Golby

Poemeto do abraço

fevereiro7

Toma-me num abraço em que as tuas mãos façam-se em mil e percorram meus vãos, meus cabelos e que me enlace tão completamente
que quando eu me vir assim por ti enlaçado me sinta protegido, seguro, amado e quente e que me faça lembrar de ti mesmo longe do meu lado quando faltarem as mãos que me fazem bem porque eu já não saberei viver sem.


(retirado do blog  Poesias em dia de Francisco Libânio)

Antes que seja

fevereiro6

1256057215_lygiaSonho com esse encontro. O que dizer a ela que pareça inédito a mim mesma? Aquilo que já não haja dito, ou pensado, entre uma linha e outra, entre suas vírgulas e pontos – parada obrigatória pra respirar. Tão íntima. Íntimos seus transes, esses devaneios tão reais que transfiguram minha alma enquanto ela ali me olhando, se atirando sobre a minha intimidade, me desnuda. Devolvo o olhar, eu à vontade, eu vestida de trapos pronta para ir dormir, ou acordar de um transe ou devaneio ao sorver essa maldade de desejar ser quem se é.
O que se pode fazer quando se nada pode fazer? Venha Lygia Fagundes Telles antes que seja tarde. Ou cedo demais.

Foto: Lygia na década de 1950, imagem copiada do Portal Literal

Clube

fevereiro5

Era quase uma brincadeira. Eram quatro, eram oito, doze, quinze, em pares, ímpares. Velhos conhecidos vivendo uma nova história. Velhas histórias revividas. Novidade entre os novos. À distância, pela rede virtual, estávamos tão perto, quase sussurrando aos ouvidos do outro e nos encontros as vozes eram quase gritos de alegria, pela chegada, pela partida, os nomes citados na ausência, uma rede deliciosa em que se deixar o corpo e a alma jogados levemente balançando, ba-lan-çan-do. Suave brisa de amizade…ventos fortes das fortes personalidades, tão pessoais. Podia ser qualquer nome, ser de qualquer jeito, de qualquer forma, em qualquer lugar, a qualquer hora, com qualquer propósito. O clube. Onde está o clube que não aceita deserções? Afastamentos, sim, permite-se. Momentaneamente. Há que se entender o distanciamento para uma observação mais apurada. Democrático, o clube se transforma com integrantes que vem e vão, os agregados que se acon/chegam. Uns ficam. Outros…Uma regra é clara: se tem bigodes de foca, nariz de tamanduá e orelhas de camelo, não importa, porque se é amigo de fato a gente deixa como ele está. Será? Ou meu nariz de tamanduá só pode chegar até onde chega a sua orelha de camelo? E se teus bigodes de foca esbarrarem no seu nariz de tamanduá? Vou gostar, vais gostar, não vamos gostar, vamos brigar ou rir. Rir com com todas as letras: rir com k, rir com hua, rir com rs. Rir com todo o alfabeto, em todas as línguas. Ah, vamos lá, “vamos dando risada que a vida nos chama não dá pra chorar”. E vamos chorar de rir e depois rir do choro que veio.

Se é pra mudar, vire-se, mude-se, mudamos todos, mudamos juntos, permanecemos os mesmos, diferentes, como sempre, como nunca, citando autores, cantando em coro, levantando as taças, soluçando baixinho, colorindo a pele, declarando amores, entretendo as crianças, preparando os pratos, distribuindo abraços, abrindo o verbo, segurando o tempo para um não adeus. Um clube. Um brinde. Um brinde ao clube.

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Assista ao vídeo Tá rindo é ? de Ana Carolina com participação de Seu Jorge no Registro Multishow + Nove

Tá rindo é?

Um jeito

novembro21

Eu vou te contar que você não me conhece…

E eu tenho que gritar isso porque você está surdo e não me ouve!
A sedução me escraviza à você … Ao fim de tudo você permanece comigo,
mais preso ao que eu criei e não a mim.
E quanto mais falo sobre a verdade inteira um abismo maior nos separa ….
Você não tem um nome, eu tenho…
Você é um rosto na multidão, e eu sou o centro das atenções.
Mas a mentira da aparência do que eu sou,
é a mentira da aparência do que você é .
Por que eu, eu não sou o meu nome,
e você não é ninguém …
O jogo perigoso que eu pratico aqui ,
ele busca a chegar ao limite possível da aproximação.
Através da aceitação , da distância , e do reconhecimento
dela.
Entre eu e você existe a notícia que nos separa …
Eu quero que você me veja a mim ,
eu me dispo da notícia.
E a minha nudez parada , te denuncia , e te espelha…
Eu me delato , tu me relatas…
Eu nos acuso , e confesso por nós.
Assim , me livro das palavras,
Com as quais você me veste . (Fauzi Arap)

Ouça:

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Um jeito estúpido de te amar

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