Antes que seja
fevereiro6
Sonho com esse encontro. O que dizer a ela que pareça inédito a mim mesma? Aquilo que já não haja dito, ou pensado, entre uma linha e outra, entre suas vírgulas e pontos – parada obrigatória pra respirar. Tão íntima. Íntimos seus transes, esses devaneios tão reais que transfiguram minha alma enquanto ela ali me olhando, se atirando sobre a minha intimidade, me desnuda. Devolvo o olhar, eu à vontade, eu vestida de trapos pronta para ir dormir, ou acordar de um transe ou devaneio ao sorver essa maldade de desejar ser quem se é.
O que se pode fazer quando se nada pode fazer? Venha Lygia Fagundes Telles antes que seja tarde. Ou cedo demais.
Foto: Lygia na década de 1950, imagem copiada do Portal Literal